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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Meu site sobre revisão de textos - De olho no texto -  está novamente no ar - problemas resolvidos:-)
http://www.deolhonotexto.com.br/

sábado, 5 de outubro de 2013

Pontuação é assunto sério sim!





Pontuação é assunto sério sim. Já ouvi comentários assim no laboratório da universidade: “Não estou nem aí para vírgula”. Doce engano. Como diz o poema “Vírgula”, em comemoração aos 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa: “Uma vírgula muda tudo”. É algo, então, para ter-se cuidado na hora de redigir – seja no Enem, no vestibular, seja naquela dissertação de mestrado (para vocês de coração, meus queridos colegas), nas teses de doutorado, etc. Assim, deixo, aqui, algumas dicas sobre o uso de vírgulas.

Uso obrigatório da vírgula:

Para separar a data da localidade:

Itajaí, 5 de outubro de 2013.

  • Para isolar o vocativo (digamos assim, a pessoa com a qual você fala):


Elaine, podes me enviar o texto por e-mail?
Andrey, não se esqueça da reunião.

  • Para marcar termos intercalados/deslocados


Durante as horas de lazer, nenhum deles alegou participar de momentos culturais.

A frase “durante as horas de lazer” está deslocada, pois seu local originário deveria ser ao final da frase. Assim, como foi colocada no início (deslocada), precisa de vírgula. Outro exemplo: Poetas, ao final do século XIX, como Mallarmé e Ezra Pound, passaram a experienciar novas formas de dar vida aos seus poemas.

  • Para omitir o verbo:


Ele joga futebol; mas ela, voleibol.

Entre ela e voleibol foi omitido o verbo “jogar”.


  • Para isolar o aposto explicativo:


É na prática, no lidar com o objeto, que se passa a compreender o entorno, perceber sua problemática, sua beleza, sua criação.

A frase “no lidar com o objeto” explica o que é prática, vem, portanto, entre vírgulas.

No excerto acima, usei as vírgulas para, também, enumerar: “perceber sua problemática, sua beleza, sua criação”.

Uma dica que eu gosto e que deixa seu texto mais elegante é a seguinte:
Ao invés de iniciar sua frase com porém, contudo, no entanto, portanto, use essas conjunções após o sujeito e o verbo. A conjunção após o sujeito e o verbo vem entre vírgulas– dá um ar mais elegante. .Ex.:

No entanto, seus indivíduos continuam a ser seres que pertencem a uma sociedade e que necessitam aprender a “ser”.

Seus indivíduos continuam, no entanto, a ser seres que pertencem a uma sociedade e que necessitam aprender a “ser”.


Um exercício muito bom sobre pontuação é, ao ler bons textos, prestar atenção em como ela está sendo utilizada - eu aprendi muito assim. Há muitas outras dicas sobre pontuação neste endereço:


E aqui deixo aquele poema do qual falei no início desta postagem:

Vírgula
Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,40.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

 ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação. Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).



domingo, 29 de setembro de 2013

Alguns cuidados para uma boa redação





Gostaria, antes de tudo, pedir desculpas pelo meu desaparecimento. Tive de fazer algumas escolhas para dar conta de uma graduação, de um mestrado e de trabalho - todos ao mesmo tempo. Agora, as coisas acalmaram um pouco - graduação terminada -, e com uma mensagem do meu wonderful ex-aluno Victor de Biásio, não resisti a voltar a escrever no blog hoje, com a promessa de trazer toda semana algo. Inicio, assim, com algumas dicas para redação, já que o Victor me perguntou sobre o Enem. Então lá vai:

A redação


1.      Muita leitura
2.      Muita prática
3.      Muita paciência

Leia bem o tema, com bastante atenção. Organize-se. Primeiramente, coloque no papel tudo que vem na sua cabeça em relação ao tema – não há necessidade de fazer frases completas – faça como uma lista de compras. Isso é o que chamamos de brainstorm. Depois, organize essas ideias de forma que elas sigam uma ordem lógica de pensamento – você pode numerá-las. Exemplo: coloque número 1 para tudo que vai fazer parte da introdução; 2 para o desenvolvimento do texto; 3 para a conclusão. Fazendo isso, sua redação ficará mais organizada e você evitará a repetição de ideias – comum nas redações em que o aluno já sai escrevendo sem se organizar. No momento desse brainstorm, pense onde as ideias encaixam-se: “Ah, isto ficaria bom na introdução”; “Isto na conclusão”, etc.; afinal, lembre-se de que todo texto precisa de introdução, de desenvolvimento e de conclusão. Depois inicie sua escrita – pratique sempre assim, quanto mais você faz, mais fácil fica.

Introdução (um parágrafo)


É a parte em que você irá anunciar sobre o que é seu texto. Há 3 partes nela que se apresentam em apenas um parágrafo - em uma redação para o Enem, por exemplo (a Introdução da minha dissertação de mestrado tem 5 páginas):
1.      Inicia-se com um comentário sobre o tema para atrair a atenção do leitor (sem copiar exatamente as palavras que estão no tema).
2.      A contextualização do tema que você vai discutir.
3.      Uma sentença que revele o ponto principal da sua redação – seria essa a sua tese.

Desenvolvimento (2 ou 3 parágrafos)


Pode ter, em uma redação de uma página, 2 ou 3 parágrafos. Lembre-se do mais importante: suas ideias têm de progredir. Não gire em torno da mesma coisa – você vai entediar o avaliador e já viu....Fale de umas ideias em um parágrafo, de outras no outro. Entretanto, essas ideias precisam estar interligadas, em uma sequência lógica. Por exemplo: se você for escrever sobre as vantagens ou desvantagens de algo, escreva sobre todas as vantagens em um parágrafo e as desvantagens no outro. Fica mais bem organizada. Melhor, também, falar sobre as desvantagens primeiro, sua redação termina com ar mais positivo.

Inicie o segundo parágrafo (lembre que o primeiro era a introdução) falando sobre a ideia principal do texto – isso fará a ligação do primeiro com o segundo parágrafo. Em seguida, você deve trazer ideias que suportem essa ideia principal, com exemplos para evidenciar (você pode dar continuidade a mais ideias com seus exemplos em mais parágrafos – sem se repetir e sem fugir do assunto - aliás, nunca fuja do assunto – pense em sua redação como uma árvore: o tronco é a sua ideia principal, os galhos, as ideias secundárias que suportam a principal – não inclua na sua redação outras árvores).

Conclusão (um parágrafo)


Inicie retomando o seu ponto principal – aquele que você colocou na introdução e teça um comentário sobre ele. Resuma as ideias trazidas no desenvolvimento (que não sejam novas – a conclusão não deve conter novas ideias – suas ideias devem encerrar-se no desenvolvimento). Dependendo do assunto, você pode, após esse resumo, dar uma ideia para o futuro, dar uma sugestão em relação às ideias que você mencionou no texto. Faça isso e você terá nota 10 em organização. Em conteúdo, vai depender de suas ideias. Lembre-se de que, para ter ideias para uma redação, é necessária muita leitura, muita, muita... e antecipada. Dificilmente alguém consegue escrever bem sem ler. Leitura é primordial para desenvolver o pensamento. Não se esqueça de reler seu texto antes de entregar para alguém ler. Como professora e revisora, digo: é muito chato quando você pega um texto para ler e percebe que quem escreveu não teve a “delicadeza” de reler para arrumar erros grotescos, digamos assim. 

Outra coisa importante: Os parágrafos não devem ser curtos nem longos demais. Tente manter de 6 a 8 linhas cada um (um parágrafo de 2 linhas é muito estranho).  

Se precisar de algo, entre em contato.
jbridon@terra.com.br



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Em princípio / A princípio, o que faço?



Parecem expressões sinônimas, não parecem? Não são. Não é questão de colocar em seu texto aquela que fica mais charmosa. Em princípio tem um significado -  A princípio, outro. Preste atenção nestas frases:

  • Em princípio, concordo com sua atitude, mas é preciso rever certas falas.
  • A princípio, concordei com sua atitude, mas depois percebi o quanto estava sendo injusta.

Qual a diferença de significado de Em princípio – A princípio nessas frases?

Em princípio é o mesmo que dizer de um modo geral, em tese, teoricamente, antes de mais nada.

A princípio é o mesmo que dizer inicialmente, no começo.

Cuidado, portanto, com suas escolhas.

A princípio, você pode cometer deslizes, mas, em princípio, você deve acreditar que vai acertar todas..:-).

sábado, 24 de setembro de 2011

O que nos falta?

    
  Capa de: O sentido dos sentidos: a educação (do) sensível 
João Francisco Duarte Jr.

    Muito se tem falado sobre atitudes agressivas, sobre a perda de valores, que têm atingido a todas as camadas da sociedade, seja em casa, seja no trabalho, seja na rua, seja na escola. Eu presencio diariamente cenas de deixar qualquer um de cabelos em pé – e mesmo aqueles sem cabelos. Nem preciso descrevê-las, porque com certeza, você aí, leitor, também presencia várias atitudes “desordenadas”, digamos assim, no seu dia a dia.
    Estou lendo no momento a linda tese de Duarte Jr. (O sentido dos sentidos: a educação (do) sensível) sobre a educação estética - por meio da arte -, e concordo plenamente com ele quando diz que a “capacidade sensível do ser humano” vem sendo substituída pela sociedade moderna pela “anestesia” – a negação do sensível, a incapacidade de sentir. E não é isso mesmo? Poucos apreciam as boas coisas, poucos param para sentir as coisas, poucos elogiam, poucos percebem as paisagens, os bons cheiros, o que é belo, poucos...poucos...poucos.
    Por isso a grande e urgente necessidade de dar atenção aos “processos sensíveis do corpo”, diz o autor. Para Duarte Jr., a crise da sociedade contemporânea gira em torno da deseducação dos sentidos.  Diz ele que o ser humano entrou em uma espécie de regressão que chegou a níveis “toscos e grosseiros”, haja vista a degradação do meio-ambiente, do espaço urbano, da falta de valores que podemos perceber em todos os lugares. Volto a repetir: E não é isso mesmo?
    O que podemos fazer? Eu, como professora, preciso com urgência levar os alunos a ter uma educação do sensível. Não é utopia. Sou professora e é o que tenho tentado fazer. Tenho tido bons resultados? Não sei ainda, mas a médio e longo prazo, penso, quem sabe, atingir alguns, e estes alguns possam, quem sabe, atingir outros alguns, e assim por diante. É isso que estou fazendo e vou continuar a fazer. Eu não desisto!

     Leia o livro de João Francisco Duarte Júnior (todo professor deveria ler, na minha modesta opinião) - O sentido dos sentidos: a educação (do) sensível - Curitiba: Criar; e busque você também caminhos para pararmos de ser “toscos e grosseiros”.

 Até a próxima!

sábado, 10 de setembro de 2011

Canibal de Moacyr Scliar

Gosto muito deste texto do médico e escritor Moacyr Scliar. Neste texto ele mostra de forma alegórica a ganância dos seres humanos naqueles momentos em que o caminho da razão seria o de compartilhamento. Além disso, ele mostra que a corda arrebenta sempre para o lado mais fraco. Leia e aprecie!




CANIBAL


Moacyr Scliar



Em 1950, duas moças sobrevoaram os desolados altiplanos da Bolívia. O avião, um Piper, era pilotado por Bárbara; bela mulher, alta e loira, casada com um rico fazendeiro de Mato Grosso. Sua companheira, Angelina, apresentava-se como uma criatura esguia e escura, de grandes olhos assustados. As duas eram irmãs de criação.
             O sol declinava no horizonte, quando o avião teve uma pane. Manobrando desesperadamente, Bárbara conseguiu fazer uma aterrissagem forçada num platô. O avião, porém, ficou completamente destruído, e as duas mulheres encontravam-se, completamente sós, a milhares de quilômetros da vila mais próxima. Felizmente (e talvez prevendo esta eventualidade), Bárbara trazia consigo um grande baú, contendo os mais diversos víveres: rum Bacardi, anchovas, castanhas-do-pará, caviar do Mar Negro, morangos, rins grelhados, compota de abacaxi, queijo-de-minas, vidros de vitaminas. Esta mala estava intacta.
            Na manhã seguinte, Angelina teve fome. Pediu a Bárbara que lhe fornecesse um pouco de comida. Bárbara fez-lhe ver que não podia concordar; os víveres pertenciam a ela, Bárbara, e não a Angelina. Resignada, Angelina afastou-se, à procura de frutos ou raízes. Nada encontrou; a região era completamente árida. Assim, naquele dia ela nada comeu. Nem nos três dias subseqüentes. Bárbara, ao contrário, engordada a olhos vistos, talvez pela inatividade, uma vez que contentava-se em ficar deitada, comendo e esperando que o socorro aparecesse. Angelina, pelo contrário, caminhava de um lado para outro, chorando e lamentando-se, o que só contribuía para aumentar suas necessidades calóricas.
            No quarto dia, enquanto Bárbara almoçava, Angelina aproximou-se dela, com uma faca na mão. Curiosa, Bárbara parou de mastigar a coxinha de galinha, e ficou observando a outra, que estava parada, completamente imóvel. De repente Angelina colocou a mão esquerda sobre uma pedra e de um golpe decepou o seu terceiro dedo. O sangue jorrou. Angelina levou a mão à boca e sugou o próprio sangue. Como a hemorragia não cessasse, Bárbara fez um torniquete e aplicou-o à raiz do dedo. Em poucos minutos, o sangue parou de correr. Angelina apanhou o dedo do chão, limpou-o e devorou-o até os ossinhos. A unha, jogou-a fora, porque em criança tinham-lhe proibido roer unhas – feio vício.
           Bárbara observou-a em silêncio. Quando Angelina terminou de comer, pediu-lhe uma falange; quebrou-a, e com a lasca, palitou os dentes. Depois ficaram conversando, lembrando cenas da infância etc.
Nos dias seguintes, Angelina comeu os dedos das mãos, depois os dos pés. Seguiram-se as pernas e as coxas.
Bárbara ajudava-a a preparar as refeições, aplicando torniquetes, ensinando como aproveitar o tutano dos ossos etc.
            No décimo quinto dia, Angelina viu-se obrigada a abrir o ventre. O primeiro órgão que extraiu foi o fígado. Como estava com muita fome, devorou-o cru, apesar dos avisos de Bárbara, para que fritasse primeiro. Como resultado, ao fim da refeição, continuava com fome. Pediu à Bárbara um pedaço de pão para passar no molhinho.
Bárbara negou-se a atender o pedido, relembrando as ponderações já feitas.
           Depois do baço e dos ovários, Angelina passou ao intestino grosso, onde teve uma desagradável surpresa; além das fezes (achado habitual neste órgão), encontrou, na porção terminal, um grande tumor. Bárbara observou que era por isto que a outra não vinha se sentindo bem há meses. Angelina concordou, acrescentando: “É pena que eu tenha descoberto isto só agora.” Depois, perguntou à Bárbara se faria mal comer o câncer. Bárbara aconselhou-a a jogar fora esta porção, que já estava até meio apodrecida; lembrou os preceitos higiênicos que devem ser mantidos sempre, em qualquer situação.
          
No vigésimo dia, Angelina expirou; e foi no dia seguinte que a equipe de salvamento chegou ao altiplano. Ao verem o cadáver semidestruído, perguntaram a Bárbara o que tinha acontecido; e a moça, visando preservar intacta a reputação da irmã, mentiu pela primeira vez em sua vida:

- Foram os índios.         
 Os jornais noticiaram a existência de índios antropófagos na Bolívia, o que não corresponde à realidade.






Você pode encontrar outros contos de Moacyr Scliar clicando em Academia Brasileira de Letras.

Há ou a?






Na fala a diferença entre “há” ou “a” não fica clara porque não vemos a escrita, porém, quando escrevemos, devemos estar conscientes à qual deles (há ou a) nos referimos.

Qual a diferença no uso de cada um, então?

  • O carteiro procurava por seu endereço meses.
  • Posto de serviços a trinta minutos.

A primeira sentença fala de uma ação que se iniciou no passado e ainda permanece. A segunda trata de tempo futuro.

Há – expressa noção de tempo passado.
  • Há dez dias que não a vejo.


A – expressa noção de tempo futuro.
  • Poderei encontrá-la daqui a dois dias.


Você pode trocar “Há” por “Faz” para falar de tempo passado, mas lembre-se de que eles são invariáveis, ou seja, mantêm-se igual no singular e no plural.

  • Há uma hora que estou nesta fila.
  • Faz uma hora que estou nesta fila.
  • Há duas horas que estou nesta fila.
  • Faz duas horas que estou nesta fila