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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Um pouco de Nelson Rodrigues

 “Só o inimigo não trai nunca.”
Nelson Rodrigues


     Nelson Falcão Rodrigues, teatrólogo, jornalista e escritor brasileiro, conhecido, também, por suas frases impactantes: “O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte” e “A platéia só é respeitosa quando não está a entender nada”, nasceu em 1912, ano em que Oswaldo de Andrade disse: “estamos atrasados cinqüenta anos em cultura, chafurdados ainda em pleno Parnasianismo”. Lá vinha Nelson Rodrigues, trinta anos depois, trazer a modernidade, não à poesia, mas ao teatro nacional. 
      O autor teve uma vida atribulada, casos que lhe renderam até filhos fora do casamento, entrada e saída de empregos; sempre a procura de melhores salários e escritos que lhe renderam proibições por motivos diversos: pela imoralidade dos diálogos, pela violência dos atos nas peças, pelas ofenças à moral cristã, pela encenação de abortos; ao que o dramaturgo sempre respondia, segundo Oms (2008, p. 2), com a palavra. Nelson Rodrigues era assim: usava a palavra para defender a palavra, usava a censura como “arma publicitária”.

 
Anjo Negro, de Nelson Rodrigues
   
      O dramaturgo trabalhou em vários jornais e revistas: Revista o Cruzeiro, O Globo Juvenil, Última Hora, chegando a ser colunista esportivo do O Globo. Difícil de imaginar Nelson Rodrigues comentando partidas de futebol, assunto deveras monótono para alguém que aos oito anos estreiou na escrita com uma história de adultério, assassinato e arrependimento. Obteve grande sucesso ao publicar em O Jornal, sob o pseudônimo de Suzana Flag, Meu destino é pecar, uma minissérie em trinta e oito capítulos, elevando, segundo o Projeto Releituras (200-), a tiragem do jornal de três mil exemplares para aproximadamente trinta mil. Contudo, somente após ver uma grande fila para uma peça de teatro e ouvir um comentário de que ela estaria rendendo muito dinheiro, Nelson Rodriges decide escrever sua primeira peça teatral, A mulher sem pecado. Era o ano de 1941. A peça, que não obteve sucesso, apesar das duas semanas em cartaz, teve sua estreia somente ao final de 1942. Um mês depois, Nelson escreve sua segunda peça, Vestido de Noiva. Sua première causou grande frenesi, os espectadores aplaudiram-na ensurdecedoramente e o seu autor. O teatrólogo naquele momento, em grande crise de dor causada por uma úlcera, pronunciou que se sentia "um marginal da própria glória".
      O teatrólogo foi buscar as personagens de suas histórias ainda em sua infância, quando morava na zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo o Projeto Releituras (200-), de sua vizinhança faziam parte mulheres fuxiqueiras à janela, solteironas melindradas, viúvas inconformadas, além dos partos e velórios feitos em casa.
      Cercado sempre por problemas de saúde, tuberculose, ainda na juventude - causadora de sua cegueira parcial-, úlcera do duodeno, problemas na vesícula, complicações cardíacas e respiratórias, Nelson Rodrigues faleceu em dezembro de 1980, deixando um legado de obras literárias abertas a estudos e a discussões.
Bravo, Nelson!!!

Referência:

PROJETO RELEITURAS ARNALDO NOGUEIRA JR. Nelson Rodrigues. [200-]. Disponível em: <http://www.releituras.com/nelsonr_bio.asp>. Acesso em: 17 nov. 2010.

3 comentários:

  1. Olá minha querida amiga Janete!Parabéns pelo seu blog, lindo e criativo feito você. Vou segui-la e gostaria que se possível fizesse o mesmo.

    Bjão
    Adriana de Souza
    pescadordecultura.blogspot.com
    Dicas Culturais para seu ócio criativo!

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  2. Oi Adriana, obrigada, e pode contar comigo! Sempre!!!Beijos...:-)

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  3. Muito bom teu artigo sobre o Nelson Rodrigues. Confesso que gosto, sob muitas vaias de puritanos, ou falsos puritanos, muito da imoralidade que ele "desenhava", "caricaturava" na escrita.
    Tudo muito despudorado, sem maquiagem.
    Escreva mais sobre as obras dele... terás uma leitora. (Rs).

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