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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

ANOS DE CENSURA: FLORESCIMENTO DAS ARTES?

Ilustração: http://www.historiabrasileira.com/brasil-republica/censura-no-regime-militar/
        Com o golpe militar de 1964, o país ficou proibido de manifestar-se contra o governo, bocas foram caladas, opiniões guardadas. A classe estudantil, políticos e artistas de todas as esferas, no entanto, não puderam aguentar tamanho impedimento. Iniciaram-se, assim, manifestações populares contra o governo. Enquanto os militares usavam slogans tais quais “Pra frente, Brasil” e “Brasil: ame-o ou deixe-o”, para incitar o amor à pátria; estudantes, artistas e políticos formavam passeatas pregando a libertação. Em meio a essa confusão, o governo decidiu decretar o Ato Institucional Nº 5, em 13 de dezembro de 1968 –, o AI-5, colocando o presidente da república acima de tudo, até da constituição; proclamando o fechamento do Congresso Nacional e o mutismo do povo brasileiro. O AI-5 (BRASIL, 1968), em seu artigo quinto, trazia também:
[...] proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política;
IV - aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:
a) liberdade vigiada;
b) proibição de freqüentar determinados lugares;
c) domicílio determinado.
        As proibições eram duras e as penas brutais, fazendo parecer brincadeira de criança a proibição feita ao jornal O Estado de São Paulo, em 31 de julho de 2009, de publicar informações sobre a Operação Faktor envolvendo o ex-presidente José Sarney. Contudo, há até um lado que já foi motivo para comédia em épocas passadas. Cenas que lembram Lisístrata, de Aristófanes. D’Araujo comenta:
A gota d'água para a promulgação do AI-5 foi o pronunciamento do deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, na Câmara, nos dias 2 e 3 de setembro, lançando um apelo para que o povo não participasse dos desfiles militares do 7 de Setembro e para que as moças, "ardentes de liberdade", se recusassem a sair com oficiais. (D’ARAUJO, 2009).

        Nelson Rodrigues e Chico Buarque foram alvos da censura. Chico até pensava ser carta marcada, Loturco (200-) afirma que ele chegou a usar o heterônimo Julinho da Adelaide para ter suas músicas liberadas pela censura.
        Tempos de ditadura são cruéis, porém não podemos negar a riqueza da produção musical e literária da época. Chico Buarque, por exemplo, presenteou-nos com jogos de metáforas que são, ainda, estudados. Hoje, tanta liberdade, e o que nos resta? Fora algumas coisas boas, “eguinhas pocotó” e “rebolations”.

Referências:
BRASIL. Ato Institucional nº 5 de 13 de dezembro de 1968. Disponível em: <http://www.acervoditadura.rs.gov.br/legislacao_6.htm>. Acesso em: 25 jan. 2011.
D'ARAUJO, Maria Celina. O AI-5. 2009. Disponível em: <http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/AI5>. Acesso em: 25 jan. 2011.

LOTURCO, Roseli. Chico Buarque: Vida. Disponível em: <http://www.chicobuarque.com.br/vida/vida.htm>. Acesso em: 25 jan. 2011.

Um comentário:

  1. Eu peguei o final desta época. Tive amigos presos....e amava e ainda amo o Chico..... Tempos produtivos!!

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