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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

TERRA PAPAGALLI: UMA NOVA VISÃO DO DESCOBRIMENTO DO BRASIL



Vocês já leram o livro Terra Papagalli? É uma narrativa muito divertida sobre a descoberta do Brasil. O título já é cômico: Terra Papagalli: narração para preguiçosos leitores da luxuriosa, irada, soberba, invejável, cobiçada e gulosa história do primeiro rei do Brasil. Nesse livro, os autores José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta apossam-se da crônica histórica de Pero Vaz de Caminha e de outros documentos históricos para contar sua versão da conquista da “Terra dos Papagaios”, o Brasil. A narração é o registro cronológico do passado, em que os fatos do dia a dia são desvelados. Cosme Fernandes, o Bacharel, narrador e herói dessa obra, inicia sua narrativa pela sua mocidade, revelando tudo que passou até chegar ao navio que, aos primeiros dias de maio de 1500, o abandonaria nas novas terras (o Brasil), vendo sua permanência, juntamente com outros companheiros, como punição, como tormento, como pavor, diante de um povo que ele chamou de “estranhos seres” (os índios).
Conforme os acontecimentos, o protagonista vai listando os dez mandamentos para se viver bem na Terra dos Papagaios, revelando, assim, pouco a pouco, as características de nosso povo. São estes os mandamentos
·       Na Terra dos Papagaios é preciso saber dar presentes com generosidade e sem parcimônia, porque os gentios que lá vivem encantam-se com qualquer coisa, trocando sua amizade por um guizo e sua alma por umas contas.
·       Quando aparecer alguma dificuldade, mesmo que seja de simples solução, é preciso fazer alarde, espetáculo e pompa, pois nesta terra mais vale o colorido do vidro que a virtude do remédio.
·       As gentes da Terra dos Papagaios são muito crentes e de fácil convencimento. Por isso, têm em alta conta os feiticeiros, os falsos profetas e vai a coisa a tanto que não há patranheiro que lá não enriqueça e prospere. E assim é, senhor, que por serem tão crédulos aqueles gentios, pode-se-lhes mentir sem parcimônia nem medo de castigo.
·       É aquela terra onde tudo está à venda e não há nada que não se possa comprar, seja água ou madeira, cocos ou macacos. Mas o que mais lá se vende são homens, que trocam-se por qualquer mercadoria e são comprados com as mais diversas moedas.
·       Desde o primeiro, são os funcionários daquela terra um tanto madraços e preguiçosos, e, se na frente de seus superiores parecem retos, quando esses lhes dão as costas, revelam-se muito astutos e só nos atendem se lhes damos algo em troca. Portanto, senhor conde, se fordes para lá não se esqueça de ser generoso com eles, pois lá as portas não são abertas com chaves de ferro, mas com moedas de prata.
·       Naquela terra de barganhas fazem muito sucesso e não há quem resista a um pequeno regalo. Por isso, é preciso dar sempre um afago aos que podem comprar, pois entre dois mercadores, naquela terra não se escolhe o mais honesto, mas o que oferece mais mimos.
·       Naquele pedaço de mundo, senhor conde, não se deve confiar em ninguém, pois se no sábado nos juram eterna fidelidade, no domingo nos enfiam uma espada pela garganta. A verdade é que lá tudo se rege pela conveniência, e sendo preciso, troca-se de bandeira como as mulheres trocam de pano em dia de regra.

·       Na terra que se chama dos Papagaios, cada um cuida de si e Deus que cuide de todos, pois pouco se faz por um irmão, nada por um primo e menos coisa nenhuma por um amigo, de modo que cada um só quer saber do seu nariz e, se alguém faz algo por outrem, é a troco de paga ou medo.
·       Naquelas paragens, quando se alevantam alguns, o melhor modo de quietá-los é dar-lhes emprego ou título, porque os daquela terra muito prezam serem chamados de senhores e não há um que troque honradez por honraria.

·       E o resumo de meu entendimento é que naquela terra de fomes tantas e lei tão pouca, quem não come é comido.
Leiam o livro e descubram como a personagem chegou à conclusão de cada um.
Leiam! É muito bom!

Um comentário:

  1. Parabéns Janete, por compartilhar. Vou ler o livro. Abraço.
    Carlos

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