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domingo, 27 de março de 2011

O Português é uma língua machista?


O uso do gênero masculino em relação à concordância verbal, quando não há a especificação do gênero, não o vejo como machista, pois faz parte da história gramatical da língua portuguesa, já que o gênero neutro foi eliminado no processo da transformação do latim vulgar para o português atual. Além do mais, o feminino é o “gênero marcado”, assim como o plural. A seguinte frase “Ninguém havia se preparado para a reunião” soaria muito estranha se disséssemos “Ninguém havia se preparada* para a reunião”, afinal estamos acostumados ao primeiro tipo de construção.
Não posso deixar de pensar, no entanto, em outro ponto da questão que acontece em todos os textos acadêmicos que leio da língua portuguesa, o uso de “ele”, “aluno”, “dele”, etc. em que os autores nunca se referem ao gênero feminino. Na frase: “Partimos do pressuposto de que o aluno, ao desenvolver maior conhecimento de suas características individuais de aprendizagem, pode­rá planejar seu método próprio de estudo, levando em conta os fatores que, de acordo com a auto-observação, são mais relevantes para o seu rendimento pessoal e para uma experiência significativa.” Onde está a aluna?
Já na língua inglesa, há o uso constante de ambos os gêneros em qualquer texto em que não há distinção de masculino ou feminino, ao exemplo de “he/she”, “him/her”, “brothers/sisters”, etc. O autor/a sempre se refere aos dois gêneros quando ambos estão incluídos, como nesta fala de Ramig: “If you are not sure if you should require the older elementary-age child who stutters to give oral reports, we suggest talking to him/her privately about it. Tell him/her that you realize he/she sometimes has trouble talking and tell him/her it’s up to him/her to decide If he/she wants to give an oral report.” (RAMIG, 1993).
No caso da omissão do gênero feminino, eu considero, na atualidade, o que acontece na língua portuguesa um ato um tanto quanto machista. Vivemos em tempos em que a mulher está conquistando cada vez mais o seu espaço na sociedade, diferentemente do passado, não muito longínquo, em que seu lugar era apenas se manter no anonimato do lar. Penso que já não cabe mais ser sempre ele!

E você, o que você pensa: o português é uma língua machista?

Referências:
RAMIG, Peter. To the teacher of the nonfluent child. 1993. Disponível em: < http://www.mnsu.edu/comdis/kuster/InfoPWDS/Ramig2.html >. Acesso em: 27 mar. 2011. 

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