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domingo, 24 de abril de 2011

Biografia de Nietzsche



Outro dia em um trabalho que tivemos de fazer para a universidade (UFSC) foi-nos recomendado assistir a um vídeo sobre a vida e o pensamento de Nietzsche. Adorei o vídeo e todos que se seguem. Recomendo! Friedrich Wilhelm Nietzsche é um filósofo nascido em 15 de outubro de 1844 na Alemanha. Nietzsche causou, e ainda causa, grande polêmica pelas desconstruções de vários conceitos que os indivíduos têm da realidade. O pensamento de Nietzsche gira em torno do “enfraquecimento das certezas morais e intelectuais” o qual está ligado ao indivíduo pós-modernista que vive em uma época de paradoxos, de mudanças de comportamento, de troca de valores, de enfoque no individualismo, resultando em concepções de valores diferentes para cada ser. Não há mais um modelo de comportamento. Há a presença de uma nova conduta social: a troca de valores. Esse é um outro assunto...longo...complicado...polêmico...

Você pode acessar os vídeos sobre a vida de Nietzsche clicando aqui (parte 1/5).

Figuras de linguagem: parte III

Mais figuras de linguagem...parte III



 Gradação

Há gradação no texto quando dispomos termos em uma ordem crescente ou decrescente. Em uma ordem crescente, damos aquela sensação de se chegar ao clímax da cena. A decrescente, ao anticlímax.

  • A amizade, o amor, a paixão, o ódio, a destruição parecem beber da mesma fonte. (crescente – vai da calmaria ao caos).

Se disséssemos o contrário, seria, então, decrescente.

Apóstrofe

Não confundir com “apóstrofo” o sinal diacrítico (').

Apóstrofe é usada quando queremos nos dirigir a alguém em nossos textos. É uma “figura de chamamento”, dizem.  

  •  -“Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade”. (Gregório de Matos).

Gregório de Matos, o nosso grande poeta satírico barroco, chama a Deus nesse verso.

Polissíndeto

Da palavra “poli” que em grego significa “muito” e da palavra “síndeto” que vem do grego συνδετικος – sindetikós – que significa: conexão, ligação. Já deu para imaginar? Isso! Uma frase repleta de conjunções. Um bom exemplo é este trecho de Machado de Assis:

  • ” E voava e zumbia, e zumbia, e voava...” Mosca azul, Machado de Assis.


Pleonasmo

Velho conhecido nosso. Aquelas repetições que usamos e são completamente desnecessárias. Como por exemplo, aquela frase que todos conhecem: “subir para cima”..:-) Depois todos dizem a mesma coisa: “Por quê? Por um acaso dá para subir para baixo?”..:-)

Esse seria o pleonasmo vicioso, aquele usado mais por desconhecimento da língua, digamos assim. Como está naquela figura no início deste texto (Lan house). Pior do que uma Lan House ter Internet, é um Cyber café não ter café...passei por vários assim. Que decepção! Nesse caso seria importante o aviso: Cyber Café com café!

Há autores, no entanto, que usam o pleonasmo para enfatizar uma ideia, como Camões neste verso:

"Vi, claramente visto, o lume vivo
Que a marítima gente tem por santo [...] (Camões, os lusíadas, Canto V,18)

Falando em pleonasmo, adoro este vídeo do Marcius Melhem e do Leandro Hassum: Pleonasmo. Assistam, é bem engraçado...:-)


Depois têm mais figuras! J


domingo, 17 de abril de 2011

Mude de Edson Marques

Mudanças é tudo de bom. "Não faça do hábito um estilo de vida."




Mude...de Edson Marques

Mude, mas comece devagar, 

porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, 

no outro lado da mesa
mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.

Depois, mude de caminho
ande por outras ruas, calmamente,
observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por um tempo o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente pela praia, ou no parque,

e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama… 

depois, procure dormir em outra cama.
Assista a outros programas de TV, 

compre outros jornais…
leia outros tipos de livros.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,

 escolha comidas diferentes, 
novos temperos, novas
cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia,

o novo lado, o novo método,
o novo sabor, o novo jeito, 
o novo prazer, o novo amor, 
a nova vida. Tente.
Busque novos amigos.

Faça novas relações.
Almoce em outros locais, 

vá a outros restaurantes, 
tome um novo tipo de bebida, 
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,

 jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado…

outra marca de sabonete, outro creme dental… 
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas,

troque de carro, compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, 

quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros,

visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar outro emprego, uma
nova ocupação, um trabalho mais light, 

mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,

longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas.
Troque novamente. Mude de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores de que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!

(Edson Marques)

O tempo passou?




Impressionante como o tempo passa e as palavras dos autores continuam sendo tão atuais. Outro dia, ao ler Tartufo de Molière, uma obra datada dos idos de 1660, parecia estar lendo sobre um indivíduo de hoje...cheio de falcatruas. Será que a humanidade mudou tanto assim? Não sei!!

Mas o que quero mesmo é falar de “Os Lusíadas” de Luís Vaz de Camões. No Canto I- verso 106, o poeta diz:

“No mar, tanta tormenta e tanto dano
Tantas vêzes a morte apercebida;
Na terra, tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade avorrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigna o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?


Se pensarmos, quase 500 anos se passaram e tudo na mesma...A obra Os Lusíadas foi escrita em 1557 e editada em 1572.

A obra é linda e vale a pena ler na íntegra. 

Neste link você pode encontrar a obra completa:


Falando em Camões, Marcos Bagno em seu livro Preconceito Linguístico, comenta sobre a troca de R por L, e vice-versa, cometido pelas pessoas com problemas em pronunciar esses encontros consonantais. Ele explica que muitas palavras derivadas do latim sofreram essas mudanças, ex. Duplu = dobro. Ele acrescenta, ironicamente, que Luís de Camões sofria desse “mal”, pois em seu livro “Os Lusíadas” escreveu várias palavras com este “problema”, tais quais: ingrês, púbricas, etc. E eu encontrei mais uma..frauta. Como diz Bagno, as pessoas que trocam o L pelo R podem dizer que são leitores de Camões! Muito lindo!:-)

Vale a pena ler o livro de Bagno também: pequeno por fora, grande por dentro..:-)

Referência

Bagno, Marcos. Preconceito língüístico: o que é, como se faz. 25.ed. São Paulo: Loyola, 2003.                     

Figuras de linguagem: parte II




O que são figuras de linguagem? Parte II...a complicação..:-)

Antítese: Essa é fácil! A palavra já diz tudo, não é? Expressa uma oposição de conceitos ou de significados em uma mesma frase:

  • “Tive ouro, tive gado, tive fazendas. Hoje sou funcionário público.” Carlos Drummond de Andrade.

Nesse exemplo Drummond quer nos dizer que já teve muito e agora tem pouco.


Paradoxo ou oximoro: Quem já não ouviu falar em paradoxo? Aquelas ideias que são incompatíveis, mas que às vezes tornam-se belos poemas como os de Camões em Os Lusíadas:

  • "Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer [...]”.


Ironia: velha conhecida dos brasileiros. Quem não faz uso da ironia em seu discurso diário? A ironia estabelece-se quando queremos dizer exatamente o contrário do que expressamos.

Vejam esta frase de Monteiro Lobato:

  • “A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças.”


Eufemismo: fazemos uso dessa figura para abrandarmos, suavizarmos uma fala negativa. Ao invés de dizermos que alguém morreu, dizemos que “descansou”. Isso é eufemismo.


Hipérbole: essa é uma figura que brasileiros amam usar...o exagero..

  • Já te falei milhões de vezes...
  • Telefonei para você umas cem vezes, por que você não atendeu?

Até parece, não é?


E há mais figuras! Continuo na semana que vem..:-)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Figuras de linguagem: parte I



O que são figuras de linguagem?

Muitas vezes entendemos o que um autor quer dizer sem nos dar conta que ele está usando uma figura de linguagem. Por exemplo, quando o autor diz: A lua sorriu para mim. Você sabia que essa frase contém uma figura de linguagem? Para ser mais exata uma “prosopopeia”. O que é uma prosopopeia? São características humanas dadas a um objeto: A lua sorriu – sorrir é uma característica de seres humanos. A lua não sorri, mas na literatura ela pode sorrir sim para mostrar o bem estar da personagem que proferiu essa frase.

Outras vezes a leitura de uma narrativa torna-se difícil porque não conhecemos as figuras de linguagem presentes na obra, causando-nos estranhamento. Que tal conhecê-las, então?

Abaixo descreverei algumas com alguns exemplos:

  •   Metáfora

Quando fazemos uma comparação implícita, sem o uso da palavra “como”, e quando transferimos o sentido de um termo para outro, fazemos uso da metáfora.

Exemplos:

Sou de ferro.

Isso não significa que sou literalmente de ferro, mas sou forte como um. É uma metáfora.

Esta frase de Fernando Pessoa:

Meu coração é um balde despejado”.

O que o autor quer dizer? Que seu coração é como se fosse um balde despejado, mas não é um. Está fazendo uma comparação para dar mais força em seu texto.

  •  Metonímia


Quando dizemos frases como A presença do assunto “alienação” em Franz Kafka é muito forte, referimo-nos à obra de Kafka e não a pessoa em si. A metonímia, portanto, substitui um termo por outro. Em frases como: O homem pisou na lua, há, também, o uso da metonímia. Na verdade, o que queremos dizer é “Os astronautas pisaram na lua” – seria como uma generalização.

·               Perífrase

Quando usamos uma expressão ao invés do nome real. Ao trocarmos o nome de uma pessoa por uma característica marcante dela, estamos fazendo uso da perífrase.

Por exemplo:

Há problemas sérios com o país do futebol. 

Qual é o país do futebol? O Brasil, todos sabem disso, é famoso por isso, assim como o país do carnaval – parece até um apelido.

O bruxo do Cosme Velho foi um dos maiores autores do realismo brasileiro. 

De quem estou falando? De Machado de Assis, ele era chamado assim "o bruxo do Cosme Velho".

O Cisne negro compôs belos poemas simbolistas. 

Estamos falando de Cruz e Souza, grande poeta brasileiro nascido em Florianópolis.

    Catacrese

Sabe aquelas expressões que usamos no dia a dia, tais quais: pé da mesa, dente de alho, céu da boca, cabeça de alfinete, etc.? São expressões que um dia foram metáforas, mas que perderam esse caráter e já fazem parte da linguagem denotativa, e não mais conotativa. Portanto, catacrese são figuras que deixaram de ser metáforas. 


Nas próximas postagens, continuarei a falar desse assunto, pois há várias figuras de linguagem e guardar todas elas não é tarefa fácil. Doses homeopáticas, então. 

Até a próxima! :-)







sexta-feira, 1 de abril de 2011

Conjunções coordenativas


Em homenagem aos meus alunos (oi!!!!), resolvi falar um pouco das dúvidas que têm aparecido em nossas aulas:

Ou..ou / ora...ora são conjunções que expressam alternância, mas isso não significa que elas sejam sinônimas. Vejam os exemplos:

  • Ou Bruna ou Júlia falará sobre as personagens da obra de Franz Kafka.
O que estou dizendo aqui? Que uma delas irá apresentar o trabalho.

No entanto, se eu disser:

  • Ora Bruna ora Júlia falará sobre as personagens da obra de Kafka.
Que quero dizer? Que as duas irão fazer um revezamento: em um momento uma, em um momento a outra.
Outro exemplo:
  • Ou Lorraine ou Gabriela será presidente da república.
Mais uma vez, uma das duas assumirá o cargo.

Se a frase for:

  • Ora Lorraine ora Gabriela será presidente da república, o significado muda! As duas irão revezar o cargo. Cada dia uma?:-)

Outra conjunção usada erroneamente é “por isso” como sinônimo de “porque”.

Vejam os exemplos:

  • Tinha que estudar por isso não fui à praia.
Se fizermos a substituição de “por isso” por “porque” ficará assim:

  • Tinha que estudar, porque não fui à praia.
 Faz sentido? Até pode fazer sentido, mas em relação à frase anterior, estou dizendo outra coisa. Na primeira, falo sobre a razão de eu não ter ido à praia (eu tinha que estudar). Já na segunda, é como se alguém me dissesse: se você não for à praia, vai ter que estudar. Optei, então, por estudar.

Para substituirmos e o sentido da frase manter-se o mesmo, precisamos fazer mudanças:

  • Tinha que estudar por isso não fui à praia.
  • Não fui à praia, porque tinha que estudar.
“Por isso” expressa conclusão. Pode, então, ser substituído por “logo”, “portanto”, “então”.
“Porque”, nesse caso, expressa explicação, pode ser substituído por “pois”.

Outra:

As conjunções que expressam adição: e, não só...mas também, não só...como também; necessitam de adaptação:

  • O Guto leu o artigo e percebeu um assunto que poderia tornar-se uma tese de doutorado.
Ao substituirmos “e” por “não só...mas também”, não basta colocar no lugar assim sem mais nem menos, precisamos inserir o verbo entre as expressões:

  • O Guto não só leu o artigo mas também percebeu um assunto que poderia tornar-se uma tese de doutorado.

É isso aí! Até mais!:-)