Follow by Email

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Assistir x assistir a


Hoje, em uma de minhas aulas, comentei sobre o verbo “assistir”, que, apesar de ser largamente usado sem preposição na linguagem coloquial, há preposição sim dependendo do que se quer dizer. Veja a seguir o uso do verbo assistir e seus diferentes significados com ou sem preposição:

  • Assistir
Sem preposição significa “ajudar”:

  • O técnico assistia1 os novos jogadores.
Com a preposição “a”:

  •  Não assistimos ao show.
  • Assisti a poucos capítulos da novela.
Com a preposição “em”, significa “morar”, “residir”:

  • Assistiu em Florianópolis por muito tempo.
1 O dicionário Aurélio traz o verbo assistir com esse significado com preposição: assistir a – exemplo dado pelo dicionário: Assiste aos pobres com humildade exemplar. Já a Nova Gramática do Português Contemporâneo de Celso Cunha e Lindley Cintra diz que se pode usar com ou sem preposição (p. 535). Você que está fazendo concurso público ou vestibular, fique atento, sua resposta dada como errada, pode, de repente, estar correta. Assim é a língua: há várias teorias, difícil encontrar elementos que gramáticos e dicionários sejam unânimes. Fique de olho!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Orações subordinadas substantivas


Mostram-se como “um pedaço” que falta à oração principal. São orações que exercem a função de um substantivo:

ü  A menina quis que eu lesse o livro. (A menina quis a leitura do livro)

Dividem-se em:

  • Subjetivas
  • Objetivas Diretas
  • Objetivas Indiretas
  • Completivas Nominais
  • Predicativas
  • Apositivas

Hoje as três primeiras:


Subordinadas Substantivas Subjetivas: fazem o papel de sujeito:

É preciso que o grupo melhore.       

O que é preciso? Que o grupo melhore. (A melhora do grupo é necessária.)

É preciso: oração principal
que o grupo melhore: oração subordinada substantiva subjetiva.


Subordinadas Substantivas Objetivas Diretas: fazem o papel de objeto direto.

Nós queremos que você fique.              

Nós queremos o quê?  Que você fique.

Que você fique – é o objeto direto do verbo querer

Objeto direto: complementa o sentido de um verbo transitivo direto – é direto porque não há preposição entre o verbo e o objeto.

Nós queremos : oração principal
que você fique: oração subordinada substantiva objetiva direta

·         Subordinadas Substantivas Objetivas Indiretas: fazem o papel de objeto indireto.

Não me esqueço de que estavas aqui naquele dia.    
          
Não me esqueço de quê? De que estavas aqui naquele dia.
De que estavas aqui naquele dia -  é objeto indireto do verbo esquecer

Objeto indireto: complementa o sentido de um verbo transitivo indireto – é indireto porque uma preposição entre o verbo e o objeto – no caso a preposição “de”.

Não me esqueço: oração principal
de que estavas aqui naquele dia: oração subordinada substantiva objetiva indireta

Figuras de linguagem: parte V



  • Hipérbato

Trata da inversão da ordem normal que usamos nas frases: 

Água não bebo, nem vinho provo. (Ao invés de “Não bebo água, nem provo vinho”).

Se for muito acentuada essa inversão, chamamos de sínquise, ou seja, um hipérbato exagerado. Um famoso exemplo é o que acontece no nosso Hino Nacional:

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas/De um povo heroico o brado retumbante...”.

A ordem direta seria: “As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico”.

  • Aliteração

É a repetição da mesma consoante em vários pontos da sentença:

Neste caso o “r”: “O rato roeu a roupa do Rei de Roma...”.

  • Assonância

É a repetição de vogais:

Raia sangüínea e fresca a madrugada. (...).” Raimundo Correia.

Tanto a aliteração quanto a assonância são figuras de linguagem muito usadas na poesia para dar-lhe musicalidade.

  • Anacoluto

É o uso desconectado de um elemento na sentença, não há relação sintática com os outros elementos, conhecido como “frase quebrada”. James Joyce, com seu experimentalismo linguístico, usou e abusou do anacoluto em sua obra Finnegans Wake. Veja essa frase:


We nowhere she lives but you mussna tell annaone […].”*

Nós em nenhum lugar ela mora, mas você não deve dizer a ninguém [...] (tradução minha).

*Para os falantes de língua inglesa: não digitei errado, essa é a linguagem de James Joyce em Finnegans Wake. Você pode encontrar a obra na íntegra clicando aqui.


  • Anáfora

É a repetição de uma palavra no início de cada verso de uma estrofe.

Ler, aprender
Ler e conhecer
Ler e refletir
Ler e dialogar
Ler e viajar
Ler e crescer.


  • Sinestesia

É o uso de um sentido, de uma percepção no lugar de outra.

Vejo o cantar dos pássaros.
Vejo o perfume da flor.

"Em anexo" é correto?


A palavra “anexo” funciona como um adjetivo, por isso devemos dizer:
  • Os exercícios seguem anexos.
  • Os slides estão anexos.
  • As cartas estão anexas.
  • Segue cópia anexa.

Há quem diga que “em anexo” está errado, pois a palavra “anexo” é um adjetivo e não fica bem o uso da preposição “em” antes dela. Já outros dizem que após a preposição “em” o vocábulo “anexo” faz papel de locução adverbial de modo, aceitando, então, a construção. Eu ficaria lá com a primeira explicação (sem “em”), pelo menos por enquanto, até ter aceitação geral. Afinal a língua é assim...muda!
Se você quer dizer que algo está dentro do anexo, por exemplo: dentro do envelope que vai junto ao documento há uma carta, é melhor dizer “A carta está no anexo”, “O convite segue no anexo”.
É assim..:-)