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domingo, 31 de julho de 2011

Eu vi ela????


Gostaria de chamar a atenção para o uso popular de pronomes do caso reto (ele, ela, etc.) como objetos de uma sentença. Esse uso fica tão fossilizado que as pessoas acabam usando essa forma na escrita formal como se ela fosse a correta.

Os pronomes do caso reto (eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas) são usados como sujeitos  – aqueles que praticam uma ação.

É muito comum encontrar em trabalhos escritos frases tais quais: Ela deixou ele / Ela viu ele.

Nessas sentenças “ela” é o sujeito – ele é o objeto. Só que os pronomes usados como objeto são os oblíquos (me, te, se, o, a, os, as, lhe, lhes, nos, vos, se). Da mesma forma que não é adequado escrever “Ela deixou eu”, não é adequado “Ela deixou ele”. O certo é: Ela o deixou / Ela o viu.

Eu vi ela....piora um pouco mais - viela significa rua estreita, beco.

O que devemos ter cuidado é com os locais onde se dá a fala. Há lugares que a forma popular não pega mal, mas há lugares que a norma culta é necessária. Fique atento(a)!

Fonte da imagem:  http://antonio-almeida.blogspot.com/2009/04/cuidado.html

Mais abreviaturas

Abreviatura é, às vezes, um assunto complicado – cada um diz uma coisa, uns criticam outros por isso ou por aquilo. Ao investigar sobre esse assunto na Internet, deparei-me com discussões calorosas. Ao exemplo de uma disputa que encontrei sobre como se abrevia a palavra “atenciosamente” (att - at.te, etc.). O melhor a fazer então é seguir uma linha de pensamento. O VOLP contém uma lista bem completa. Preparei uma com as abreviações mais comuns. Para aqueles que necessitam de ir além dessa lista, consultem o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa – versão impressa (VOLP) - a partir da página 866 vocês podem encontrar muitas reduções (abreviaturas). Além disso, pesquise em sites mais confiáveis como o da ABNT, do INMETRO e outros sites acadêmicos. 
Se você quiser saber uma abreviatura que não há na lista a seguir e não tiver acesso ao VOLP impresso, por favor deixe sua pergunta nos comentários.

A.
autor
a.C.
Antes de Cristo
d.C.
Depois de Cristo
A/C ou a/c
Aos cuidados
aa
Assinados(as)
an.
anual
apart. / apt. / apt.o / apto
apartamento
às v.
às vezes
at.o
atencioso
at.te
atenciosamente
atr.
através
av. / aven.
avenida
c.c
confere e conforme
c/
com
c/
conta
c/c
vonta-corrente
cal
caloria
cap.
capítulo
caps.
capítulos
Cia.
companhia
cx.
caixa
e.g. ou p.ex.
por exemplo
ex.
exemplo
fols. ou fs.
folhas
h
hora
kcal
quilocaloria
kW-h
Quilowat(s)-hora
lb.
libra (moeda)
pág. (A ABNT usa p.)
página
págs.
páginas
pp.
páginas

Funções do Se: parte 2




Além da função de pronome reflexivo e de partícula integrante do verbo, como vimos na postagem anterior – Funções do Se: parte 1, o “Se” também faz papel de partícula apassivadora e de partícula de realce, chamada, também, de partícula expletiva.

Partícula apassivadora
Serve para indicar que a frase está na voz passiva sintética. O que é voz passiva sintética?

Só para relembrar:

Vozes do verbo

Voz ativa: o sujeito faz a ação:
  •  Martha digitou todo o trabalho em apenas trinta minutos.

Sujeito: Martha

Voz passiva: Quem comete a ação agora é o agente da passiva:
  • Todo o trabalho foi digitado por Martha em apenas trinta minutos.

Sujeito: Todo o trabalho
Agente da passiva: por Martha.

A voz passiva divide-se em dois tipos: 

Voz passiva analítica e voz passiva sintética.

Voz passiva analítica: Algo é feito por alguém.
  • A prova do concurso está sendo preparada.
  • A estatística foi feita pelo IBGE.
  • A prova foi bem elaborada.

Voz passiva sintética: Faz-se algo
  • Cortam-se cabelos.
  • Falavam-se bobagens.
  • Finalizaram-se as provas.
  • Alugam-se casas.

Perceba que essas frases podem ser transformadas em voz passiva analítica (apenas frases com verbos transitivos diretos - aqueles que não vem acompanhados de preposição):
  • Cabelos são cortados
  • Bobagens são faladas
  • As provas foram finalizadas.
  • Casas são alugadas.

Voltando ao assunto partícula apassivadora: o elemento “se” nas sentenças passivas sintéticas é chamado de partícula apassivadora. 



Partícula de realce ou expletiva

Como já dito, é usada para dar maior ênfase ao que se quer dizer. Acompanha verbos  intransitivos, ou seja, aqueles que não necessitam de complemento.
  • Murcham-se as flores. 

O verbo murchar, não necessita de pronome e é intransitivo (Flores murcham).
O “se” nesse caso é usado apenas para realce.

Outro exemplo:
  • O vento se foi tão rápido quanto veio. 



 Na próxima postagem sobre esse assunto falarei de: “se” como índice de indeterminação do sujeito e “se” como sujeito acusativo. Até lá!

sábado, 23 de julho de 2011

Felicidade Clandestina




Em São Paulo fui a uma livraria – Livraria da Vila - que me deixou endoidecida. Eram tantos livros em edições tão variadas e tão lindas que me deu, realmente, vontade de abraçá-los. Havia, também, um vendedor tão íntimo dos livros que me deu aquela coceira de levar vários. Essa paixão pelos livros me fez lembrar do conto da Clarice Lispector, Felicidade Clandestina. Eis o conto:

Felicidade Clandestina - Clarice Lispector

   Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
   Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
   Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
   Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
   Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
   No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
   Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
   E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
   Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
   E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser. ”Entendem? Valia mais do que me dar o livro: pelo tempo que eu quisesse ” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
   Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
   Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
   Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

Funções do Se: parte 1



Para quem está se preparando para vestibulares e concursos públicos, você já se deparou com o seguinte assunto: As funções do “se”?

Falarei sobre esse assunto em algumas postagens – em doses homeopáticas, senão pode se tornar um assunto muito assustador, como você pode ver no esquema acima. Mas não se preocupe que não é tanto assim...:-)

Anote: A primeira função do “se” que vou mostrar é: Pronome reflexivo.

Lembre-se de que a palavra “reflexivo” já remete a algo que volta para si mesmo, certo?

Pronome Reflexivo

  • Indica que o sujeito pratica a ação e que essa ação recai sobre esse mesmo sujeito. Ex.:

O gerente se feriu com a atitude que tomou.

E, ainda, 
  • dois sujeitos praticam uma ação recíproca, ou seja, um causa efeito no outro.

Romeu e Julieta amam-se.

 “Se” nesses dois casos são pronomes reflexivos.

Outra função do “se” é Partícula integrante do verbo. O próprio nome já avisa: “se” faz parte do verbo, praticamente nasceu com ele. Ex.:

Por que ele não para de se queixar?

Da mesma forma que digo queixar-se, digo queixar-me, queixar-nos, etc. Quando a partícula é integrante do verbo, podemos usar todos os pronomes oblíquos átonos: me, te, nos, vos.

Na próxima postagem, outras funções do “se”. Fique de olho!

Abreviaturas

Eis um assunto que gera bastante confusão. Tenho visto, por exemplo, várias formas de abreviarem-se as palavras “hora”, “minuto”, etc. É interessante, em escritas formais, usar as abreviaturas estabelecidas pelo INMETRO.
No caso das horas, a abreviatura correta de 8 horas, por exemplo, é 8 h (com espaço – sem ponto). Outro exemplo: seis horas, vinte minutos e seis segundos:
6 h 20 min 6 s (sem pontos, com espaços entre todos os elementos).
Abaixo uma tabela resumida:
hora
h – 10 h
minuto
min – 25 min
segundo
s – 10 s
metro
m – 250 m
quilograma
kg – 200 kg
grama
g – 150 g
quilômetro por hora
km/h  - 110 km/h
metro por segundo
m/s  - 10 m/s


Lembre-se de dar espaços entre os números e as abreviaturas e de não usar pontos, apenas se for final de frase. Ex.: Terminei de digitar esta postagem às 18 h 38 min e 52 s.
Se você precisar consultar outras abreviaturas, você pode encontrá-las clicando aqui.


Na próxima semana trarei outras reduções. Aguarde!